sábado, 18 de abril de 2015

CHACINA – Quem nos protege da polícia?




A chacina ocorrida no rastro do acerto de contas entre bandidos, do qual resultou o assassinato do cabo Antônio Marcos Figueiredo, o Pet, faz emergir outra angustiante indagação. A polícia, em tese, nos protege dos bandidos, mas quem não protege da polícia? Não se trata, diga-se logo, de clamar pela parcimônia policial diante da bandidagem. Em absoluto. Trata-se da lícita preocupação de não permitir que o aparato policial se deixe conspurcar pela criminalidade e se junte aos quadrilheiros aos quais deveria reprimir, como se dá hoje com a Polícia Militar no Pará, tal qual evidencia a chacina da qual resultou o indiciamento criminal de 15 PMs. É de se lamentar, porém, que a covardia moral do Ministério Público não lhe tenha permitido deflagrar uma faxina ética na oficialidade da PM, majoritariamente ávida por sinecuras, em detrimento de suas responsabilidades. E da qual é impossível deixar de suspeitar diante do esgarçamento moral da corporação, reduzida a um abrigo de bandidos fardados. Disso entende, quem disso cuida, consagra o adágio, ao remeter ao deletério silêncio que torna inicialmente cúmplice, por omissão, aqueles que convivem placidamente com ilícitos, até que deles passem a se beneficiar.
Os participantes da chacina subestimaram a extensão do crime perpetrado e certamente não contavam com a repercussão, na opinião pública, da matança protagonizada. Como certamente não contavam com o destemor dos deputados Edmilson Rodrigues e Carlos Bordalo, que foram até o limite possível permitido por suas atribuições. Mas da ação policial, permeada pelas omissões desidiosas, emerge evidente o sentimento de impunidade, no caso obviamente alimentado não só por um ordenamento jurídico complacente e um Judiciário corrompido. A desenvoltura exibida pelos criminosos fardados evidencia, de forma eloquente, que a oficialidade da PM também se chafurda no pântano da bandidagem. Nada que surpreenda em quem patrocina escandalosamente o desvio de função, abrigando-se, e abrigando os apaniguados de menor patente, nos gabinetes militares de utilidade duvidosa, ou em gabinetes refrigerados, de autoridades e políticos, deixando à marcê da escalada da criminalidade o contribuinte que os sustenta.


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