sexta-feira, 16 de junho de 2017

PAULO MELO – O honroso legado de um homem que soube cultivar a bonomia sem abdicar de princípios

Paulo Melo: honroso e comovente legado.
Uma figura impecável, bonita por dentro e por fora, que deixa um comovente legado de dignidade e bonomia. Assim pode ser descrito o saudoso Paulo Melo, primo que a vida transformou em um irmão de coração, na esteira de prematura morte da mãe, a bela Maria José, a querida tia Zezé, de doces lembranças, o que acabou por atá-lo, estreitamente e de modo indelével, aos meus pais, meus irmãos e a mim, como o filho que brotou dos indissolúveis laços do amor perene. Paulo nos deixou aos 72 anos, serenamente, na madrugada de domingo, 11, dormindo, com a elegante discrição que o caracterizou em vida, sem nem por isso deixar de tornar-se uma lembrança inesquecível para quem teve a oportunidade de conhecê-lo. Essa peculiaridade de ser leve, discreto, até para nos deixar, foi capaz de fazê-lo cultivar, em vida, princípios e preservar sua dignidade pessoal, sem nem por isso abdicar da afabilidade e da generosa solidariedade, o que o tornou a pessoa tão especial que foi. Isso explica o vazio físico da qual agora se ressentem, em especial, Dolores, a dedicada mulher e companheira de toda uma vida, na esteira de um casamento de quase 50 anos, os filhos e as noras, em uma união que só os laços de amor são capazes de tecer.
Do pai, o afetivo tio Edson, e da mãe, capaz de partilhar sua doçura por igual, entre o filho único e os muitos sobrinhos, Paulo herdou a bonomia, capaz de mais tarde, quando construiu sua família, transformá-lo na bússola que orienta, no braço que protege, na mão que afaga e no coração generoso capaz de fazê-lo driblar percalços sem remoer amarguras. Essa bonomia o acompanhou vida afora e o notabilizou como alguém tão especial, para além do profissional competente e probo, o engenheiro que fez carreira no Basa, o Banco da Amazônia S/A. Comovia em Paulo, dentre outras coisas, a solidariedade incondicional para com a família e os amigos, diante das eventuais vicissitudes, e a discrição com a qual sempre administrou as circunstanciais adversidades, sem exigir contrapartida para a generosidade da qual era tão pródigo. Não surpreende, assim, a falta que sua presença faz, ainda que perdure incólume a lição que nos deixou – na vida, o mais importante não é o que se tem, mas quem se tem.
A dor da saudade que provoca o adeus de Paulo Melo acaba por se diluir naquilo que sua lembrança evoca: um profundo e infinito sentimento de tolerância e paz. Algo que nos remete à sentença de Drummond: “(...) mas as coisas findas, muito mais que lindas, estas ficarão.”

Descanse em paz, caro e querido Paulo. E obrigado pelo honroso e comovente legado.


PS. A missa de sétimo dia de Paulo Melo será celebrada neste sábado, 17, às 18h, na igreja da Santíssima Trindade.

2 comentários :

Nilda Barata disse...

Texto lindo e absolutamente fiel a pessoa do tio Paulo. Um vazio enorme e um buraco gigantesco. Até o seu bom dia em torno de 6.30 pelo zap tá fazendo falta. Descanse em paz. A paz dos justos e bons de coração como só ele soube ser.

Fabiola Muinhos disse...

Era meu tio Paulo querido, homem de coração bom e que tinha em mim uma filha, ele dizia com aquele jeitão bacana e o sorriso largo, la vem a loira...kkkk... Que você tio, descanse em paz, deixará uma saudade enorme, lembranças infinitas do meu tempo de criança e adolescência que jamais deixarão de ser lembradas.