domingo, 27 de agosto de 2017

MPE – O suposto lobby dos Barbalho

Jader Barbalho: suposta articulação para convencer o conselheiro do...
... CNMP e favorecer eleitoralmente Helder, ministro de Michel Temer.

Os estreitos vínculos de Gustavo do Vale Rocha com o PMDB, e mais particularmente com a banda podre do partido, certamente explicam a versão disseminada nos bastidores, questionando a isenção do conselheiro do CNMP. Essa versão atribui a um lobby dos Barbalho a decisão de Rocha em revogar a liminar que suspendeu os efeitos das extemporâneas portarias de delegação de poderes do então procurador-geral de Justiça, Marcos Antônio Ferreira das Neves, a cinco dias de deixar o cargo. O senador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará e um hábil articulador do governo no Congresso Nacional, teria empenho em desgastar o governador Simão Jatene, o que favoreceria eleitoralmente seu filho e herdeiro político, Helder Barbalho, ministro da Integração Nacional e virtual candidato peemedebista ao governo do Pará em 2018. Jader, recorde-se, já fez um pronunciamento em tom virulento, defendendo suspeitos de corrupção e investindo ensandecido contra a Operação Lava Jato (Veja aqui), o que obviamente atrai a simpatia dos seus pares no Congresso e reforça seu prestígio junto ao Palácio do Planalto, no qual, por coincidência, trabalha Gustavo do Vale Rocha, o controvertido conselheiro do CNMP.

Emblematicamente, o Diário do Pará, o jornal do grupo de comunicação da família Barbalho, na contramão das evidências, atribui a pressões do governador Jatene a exoneração do procurador de Justiça Nelson Medrado da coordenação do Núcleo de Combate à Improbidade Administrativa e Corrupção do Ministério Público Estadual. Medrado foi defenestrado por estar respondendo a um PAD, Processo Administrativo Disciplinar, impedimento para permanecer na função, de acordo com a resolução nº 160 do CNMP, de 14 de fevereiro deste ano, que o novo procurador-geral de Justiça, Gilberto Valente Martins - o primeiro promotor de Justiça a comandar o MPE -,apenas cumpriu, em um ato de ofício, do qual não poderia se eximir. Ao vender a ilação segundo a qual Martins, ao exonerar Medrado, estaria pagando a fatura por ter sido nomeado procurador-geral, apesar de ter sido o segundo mais votado da lista tríplice, o Diário do Pará desconhece, convenientemente, que seu antecessor foi um boy qualificado de Simão Jatene e transformou o Ministério Público em um apêndice do Palácio dos Despachos, o que o jornal dos Barbalho denunciava em passado recente. Martins, convém lembrar, é reconhecido como um promotor de Justiça competente e probo, com marcante atuação como conselheiro do CNJ, o Conselho Nacional de Justiça. O jornal dos Barbalho também omite que o novo coordenador do Núcleo de Combate à Improbidade Administrativa e Corrupção, Alexandre Couto Neto, é um promotor de Justiça de competência e probidade reconhecidas, capaz, por exemplo, de ter a coragem moral para denunciar ao CNMP uma escandalosa falcatrua de Marcos Antônio Ferreira das Neves, o que desembocou em um gracioso PAD, ao qual respondeu, a pretexto de que teria sido desrespeitoso com o então procurador-geral de Justiça (Leia aqui). Diante da retaliação de Neves a Couto, recorde-se, Nelson Medrado permaneceu silente, o que provocou ácidas críticas, no Ministério Público Estadual, ao procurador de Justiça, que para consumo externo fixou a imagem de xerife da moralidade pública.

Um comentário :

Anônimo disse...

Barata, você, que conhece bem os bastidores do MPE, acredita mesmo que alguém que foi o segundo colocado na lista tríplice e que propagava aos quatro cantos que bastava seu nome estar entre os três mais votados que seria o indicado do Governdor, fará uma gestão independente do Governo tucano e não será mais um vassalo, tal qual foi o Neves?

Joaquim Silva.